Este blog foi montado com o intuito de retratar experiências de professores de SwáSthya Yôga que dedicam suas vidas a praticar, ensinar e difundir esta fantástica filosofia de vida.



Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Priorize e vá até o fim





O único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

Albert Einstein

Há algum tempo resolvi “exorcizar” alguns arquivos do meu computador. Sabe, não sou um usuário que costuma armazenar arquivos desnecessários; sou bastante organizado e mantenho apenas aquilo que considero realmente útil. Mas fazia aproximadamente cinco anos que eu não cumpria o bom e velho ritual de limpeza e tinha a certeza de que havia muito espaço ocupado desnecessariamente no meu HD.

Assim, com receio de jogar fora algo importante, dei-me o trabalho de abrir arquivo por arquivo para verificar atentamente seu conteúdo. Neste longo processo, tive a oportunidade de refletir sobre meu padrão comportamental dos últimos cinco anos. Ele estava, de certa forma, implícito no conteúdo e na organização daqueles arquivos. Sabe o que descobri? Que uns 70% das minhas idéias e projetos que um dia pareciam importantes, não resultaram em nada! Foi duro tomar consciência do quanto desperdicei meu tempo (leia-se minha vida) em iniciativas sem acabativas. Cinco anos depois, tudo o que ganhei foi 70% de espaço livre no meu hard disk.

Se a sabedoria é feita de experiência e a experiência é feita de erros, posso dizer que este erro me trouxe uma grande sabedoria. Aprendi que o aumento da produtividade não depende tanto da criação e execução, mas sim de saber priorizar e ir até o fim; caso contrário, acabamos confundindo ações com resultados.

Este conceito me fez lembrar a velha anedota do homem que precisava atravessar, a nado, um largo rio para encontrar, na outra margem, o seu grande amor. Com excesso de peso e um tanto sedentário, ao chegar na metade da travessia o homem se vê exausto e resolve desistir do intento, nadando de volta a exata distância que poderia tê-lo levado para os braços de sua amada! E quantas vezes na vida agimos assim? Iniciamos um projeto importante e, logo na metade do caminho, desistimos para voltar ao ponto inicial. Quanta energia desperdiçada sem que consigamos alcançar os resultados almejados.

Foi a partir dessa experiência difícil que, não somente liberei espaço no meu HD, mas também tempo na minha vida. E, quem sabe, o meu depoimento sirva de estímulo para você avaliar seus projetos de vida agora. Talvez você também queira fazer um exorcismo nas coisas menos importantes, para colocar o foco naquilo que realmente deseja realizar. Uma vez que o tenha identificado, priorize e vá até o fim!


Ricardo Mallet


Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Tirar um tempo só para você: Interessa?





Com certeza a maioria das pessoas responderia de imediato que sim.

Desta maioria quantas já tiram esse tempo?

Certamente poucas.

Das que tiram um tempo só para si, será que entenderam o “só para si” da forma como imaginei quando formulei a pergunta?

Provavelmente não.

Quando falamos com as pessoas sobre o tema, não raro podemos perceber que elas incluem aí ler um livro, viajar, ver um filme, fazer massagem, ir ao esteticista, ao cabeleireiro, fazer um curso de algo que gostem…

E não digo que isso não seja bom.

Já é muito bom quando uma pessoa sabe usar parte do seu tempo para interesses puramente pessoais, deixando um pouco de lado trabalho, rotina, stress.

Mas, acho que não se deve parar por aí.

Quando fiz a pergunta não pensei em entretenimento nem em diversão.

Pensei em momentos dedicados só para si.

Sem relação alguma com um outro… seja este outro um livro, ou um filme.

Sem exposição à mais estímulos externos do que aqueles que já atuam em nós.

Conheço muita gente que sai semanalmente com os amigos, que vai ao cinema, ao teatro, que vai para a praia rotineiramente e faz tudo isso de forma tão dispersa que não posso considerar estes momentos como “tempo para si” no sentido de que falo.

Falo de alguns instantes para se ficar sozinho mesmo.

Instantes de pura auto observação, auto-estudo e autoconhecimento.

Instantes exclusivamente seus.

Para muitos, pode ser, que isso não interesse mesmo. Pode ser que não se veja nisso algo de interessante. É uma posição válida.

Mas, de minha parte, pelo que ja vivenciei a partir disso, posso dizer: não quero que nenhum dia da minha vida se passe sem que eu possa tirar um tempo só para mim, nem um só!

É a partir disso que se pode mais facilmente evoluir, aprender, reprogramar-se mudando o curso, para melhor, daquilo que fazemos com nossas vidas.

Coisas que não se conquistam com entretenimento e diversão, mesmo que isso seja positivo para que se melhore a qualidade de vida individual.

Tenho minha rotina, tenho meu tempo de entretenimento e diversão mas repito que: acho que não para por aí.

Tenho meu tempo para dedicar a um processo de aprimoramento pessoal.

Se neste momento alguém pensar que é porque eu tenho tempo para isso, prontamente digo, já não tive…

Mas, priorizei em minha rotina esse objetivo: tempo para me desenvolver. (Na realidade a forma urgente e forte como isso se apresentou para mim fez com que até minha rotina se alterasse completamente. Para que todos os meus atos rotineiros estivessem completamente integrados com esse objetivo. Mas não precisamos ir tão longe, isso foi uma escolha pessoal…da qual não me arrependo nem um pouco)

E a questão aqui não é o tempo para destinar a isso, mas à forma como o consideramos mais ou menos importante. Se for importante mesmo o tempo surgirá… por uma simples questão de priorizar essa atividade.

No meu caso, faço isso de forma direcionada, metódica, com as práticas diárias de SwáSthya Yôga.

Existem outras formas de fazê-lo, não nego, inclusive sem um método definido.

Falo agora para as pessoas que já se interessam pelo assunto, para aquelas que já compreendem a importância e o prazer de poder se dedicar ao um processo de autoconhecimento.

Apresento uma percepção apenas do método que pratico, porque já o escolhi, considerando-o o melhor para mim (a partir da comparação com outros métodos e também pelo reconhecimento do progresso intenso, efetivo e seguro que posso notar com o método adotado).

Vejo o sádhana, a prática metódica e direcionada, como um momento de contato com o que sou, emocionalmente, mentalmente e por aí vai…

Instantes de pura observação.

Observação das minhas reações aos estímulos em todas essas áreas já citadas acima, e ainda a física…a energética…

Um tempo para reeducar ou corroborar essas reações. Percebendo como já ocorrem. Se ocorrem de forma satisfatória, ou se é necessário modificá-las.

Algo necessário para que eu possa cada vez mais me transmutar naquilo que considero louvável e bom, eticamente, fisicamente, emocionalmente, energéticamente, intuicionalmente…

Se você já faz o mesmo que eu fica aqui um empolgado estímulo: faça cada vez mais! faça cada vez melhor! apaixone-se mais por esse processo, entregue-se completamente!

Se você ainda não o faz, mas interessou-se, digo: priorize! arrume tempo para si! Digo por experiência que não irá se arrepeder nem um pouco. Que a partir disso irá ter ainda mais estrutura para fazer todas as outras coisa melhor…com mais atenção com mais foco…com mais bháva!

Se você nem se interessou, pergunto: não será agora uma boa hora para entender por que você ainda não é o foco da sua própria existência?

Se não for uma boa hora ok! Prossiga…

Se em outra oportunidade esta questão se colocar, você já sabe que tem, bem aqui, uma indicação de por onde começar!!!!



Indicação do que fazer por enquanto: Leia o post Prazer e atenção.

Mas não demore muito! Temos bastante tempo pela frente, mas não sabemos quanto!


Julia Rodrigues


Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Ese momento antes de dormir




Aeropuertos, taxis, hoteles, cambios de horarios, valijas que se extravían, demoran interminablemente, problemas con las reservas, gripe sospechosa en el pasajero de al lado y bebé que no para de llorar tres asientos adelante. Seguramente, lo usual para el ejecutivo de negocios que viaja frecuentemente o a diario. Pero en todo caso, hay una hora del día en la que finalmente llegamos a casa, o al hotel. Ya estamos en aquel lugar donde la intimidad es posible, el celular se apaga y nos quedamos con nosotros mismos. Sin embargo, no nos deshicimos, o tal vez no sabemos cómo hacerlo, de los avatares antes mencionados. A continuación, una ayudita.

Es en ese momento cuando la gran mayoría enciende el televisor para “despejarse” del día antes de irse a la cama. A pesar de que este simpático aparato tienta, tomarse unos minutos antes de dormir para hacer algunas técnicas de Yôga Antiguo suele ayudarnos a recargar nuestras energías de forma más eficaz que la conocida gimnasia del zapping.

El Yôga es una forma de vida que abarca diferentes aspectos: alimentación, respiración correcta y ética están igualmente incluidos en esta filosofía. Más allá de esto, aquí va una propuesta para realizar sin necesidad de tener conocimientos previos sobre la disciplina. Igualmente, el lector curioso por saber más encontrará, al final de esta nota, un par de links donde podrá enterarse con más detalles cómo funciona esta cultura.

Pero volvamos a nuestro momento personal al final del día. Podemos optar por irnos a dormir con toda la carga de la jornada sobre nuestras espaldas o dejarla a un lado, como si fuera una simple mochila, haciendo el siguiente ejercicio:

Reserve entre 5 y 10 minutos antes de dormir. El sueño nocturno tiene, entre otras, la importante función de mejorar el estado general del organismo. Lamentablemente es común que esas horas preciosas se inviertan sólo en acciones más básicas como relajar músculos, articulaciones, emociones y pensamientos. O en hacer la digestión, cuando se va a dormir justo después de comer (lo mejor es dejar pasar unas tres horas desde la última refección).

Si la descontracción corporal, emocional y mental la realizamos antes de dormir, estamos ahorrando tareas a las horas de sueño, que así podrán aprovecharse mejor para otros fines.
Por eso, acuéstese en su cama en una posición confortable y cierre los ojos. A partir de ahora, y por muchas horas, se encargará de descansar profundamente, para que al día siguiente pueda contar con un mayor caudal de energía.

Los primeros minutos manténgase despierto y lúcido. Pasado ese tiempo, se dejará llevar por el sueño hasta la mañana siguiente.

Oriente toda su atención en la respiración y la región abdominal. Cada vez que exhale, sienta el movimiento del abdomen que desciende y suelte todo su cuerpo. Lleve la conciencia hacia su brazo derecho y suéltelo. Esto ocurrirá gracias a una orden mental, sin necesidad de movimientos corporales. Permanezca siempre inmóvil. Concéntrese en la pierna derecha y repita el procedimiento de soltar y aflojar la musculatura. Pase la atención a la pierna izquierda, que también se soltará profundamente. Luego, es el momento del brazo izquierdo; cada centímetro ingresará en el estado de relax. Finalizando el círculo, concéntrese en la cabeza y relájela también. Abandone especialmente la musculatura facial, que suele cargar tensiones y gestos durante el día agitado.

En este instante estará a punto de dormirse. Su cuerpo relajado al máximo. Aproveche los últimos minutos del día para hacer un repaso de todo lo que realizó. Piense en el momento presente. Luego, en el instante en que se acomodó en la cama para hacer este ejercicio. Recuerde después lo último que hizo antes de acostarse. Y enlace ese recuerdo con su acción anterior. Recorra de esta forma su día completo, hasta toparse con el instante en que abrió los ojos por la mañana. Entonces, duérmase profundamente.

Al repasar mentalmente el día completo, deje a un lado el recuerdo de las tareas realizadas, con sus respectivos compromisos y emociones. De esa manera no ocuparán su mente mientras duerma. A su vez, estará entrenando la memoria y evaluando todo aquello que realizó en las últimas horas. Al día siguiente, se levantará con mayor disposición, más relajado, feliz y vital.

Una sola cosa más: antes de abrir los ojos, sonría.


Anahí Flores


Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O alívio imediota





O sonho de ganhar a sorte grande. A miraculosa dieta de sete dias. A palestra motivacional. Há algo em comum nestas três idéias; eu o chamo de alívio imediota.

Alívio imediota é aquela prática hedionda que utilizamos quando tentamos aplicar uma solução fácil para um problema complexo. É a crença que nos faz pensar que somos muito espertos e que não precisamos de esforços disciplinados para alcançar um grande objetivo. Basta ter aquela “grande sacada”.

A questão é que a tal grande sacada muitas vezes (ou quase sempre) nos leva a uma solução paliativa que apenas oculta a verdadeira causa, fazendo com que o problema volte a aparecer com maior intensidade noutro momento. Peter Senge, especialista em aprendizagem organizacional, chamou a este comportamento de “consertos que estragam”. Como exemplo, ele cita a prática de colocar uma moeda no lugar do fusível para religar a energia elétrica. Da próxima vez que ocorrer um pico de energia, compreenderemos porque Senge chamou a esse comportamento de “consertos que estragam”...

A prática do alívio imediota destrói as finanças, a saúde e a vida de bilhões de pessoas no mundo todo.

Milhares permanecem na miséria, mas continuam alimentando a esperança de ganhar a sorte grande ao invés de confrontar sua verdadeira ignorância financeira e refletir sobre seu comportamento de consumo. Curiosamente, boa parte dos ganhadores da loteria perdem toda a sua fortuna justamente por não saber lidar com dinheiro.

Há aqueles que acreditam que uma dieta miraculosa, um remédio ou uma cirurgia irá resolver para sempre o seu problema de obesidade; vão empurrando com a barriga uma necessária reeducação alimentar, até que sua saúde seja totalmente corrompida por recursos químicos e agressivas intervenções cirúrgicas.

Nas empresas, anualmente, são gastos bilhares de dólares em palestras e eventos motivacionais. Dinheiro posto fora, pois o “Viagra motivacional” tem um efeito fugaz - só disfarça a real falta de propósito que impera no universo corporativo. Após algumas semanas (ou dias!) o efeito passa, tornando ainda mais forte a desmotivação e a descrença dos colaboradores.

E por que esse fenômeno preocupa? Porque somos brasileiros e em nosso país recebemos pós-graduação na ciência do alívio imediota. O famoso “jeitinho brasileiro” nada mais é do que a institucionalização desta prática, fazendo com que o povo teime em desperdiçar tempo na eterna busca pelo caminho mais fácil em detrimento de um saudável e necessário amadurecimento ético e comportamental. Devemos aceitar que fazer uma bomba com um cadarço puído, um clipe retorcido e um pote de Pomada Minancora somente era possível nos episódios do MacGyiver. Na vida real, nós, brasileiros, precisamos de menos jeitinho e de mais disciplina, pois nossa criatividade não suplanta a inovação global.

E por falar em global, sinto informar que o alívio imediota não é um patrimônio exclusivamente tupiniquim. A população mundial também está cada vez mais imediotista, buscando a felicidade em drágeas sem querer pagar o preço do desenvolvimento pessoal. É como cantava Evandro Mesquita numa das músicas da banda Blitz: todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer!


Ricardo Mallet


Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O Quanto é Preciso Agradecer





Acabo de ler o livro Quando é Preciso Ser Forte, do DeRose, autor com mais de um milhão  de livros vendidos, Notório Saber em Yôga e profundo conhecedor daquilo que ensina. Enquanto devorava cada uma das páginas, era tomada por lembranças da minha própria vida cuja trajetória, em um determinado momento, cruzou-se com a dele.

A minha história não é cheia de aventuras nem descobertas, nem mudou para sempre o rumo de tantas coisas. Não vivi inúmeras experiências que valessem tantas páginas escritas, nem viajei o mundo como ele o fez e o único homem notável que conheci até hoje foi o próprio DeRose. No entanto, o que escrevo ilustra a abrangência de uma obra que chegou até mim e na vida de milhares de pessoas pelo mundo afora graças ao poder de realização e força de vontade de um único homem.

Tento buscar na memória quando foi a primeira vez que o vi. A sensação é a de que nos conhecemos há muito tempo, mais do que minha idade poderia comportar. Sei que minha mãe abriu o seu primeiro Núcleo de Yôga em 1981, numa pequena cidade de origem italiana, no interior do Rio Grande do Sul, data em que eu contava com cinco anos de idade e minha irmã completava nove aninhos. Éramos pequenas e aquilo tudo que estava acontecendo ao nosso redor foi assimilado como brincadeira de criança: fácil e prazeroso.

Minha mãe, Cleyde, abraçou com entusiasmo aquela filosofia que florescia no início da década de 80, como fruto de um trabalho árduo do DeRose nos 20 anos anteriores. Antes disso, ele vivia apenas no Rio de Janeiro, onde gostaria de ter vivido de forma pacata, acompanhando o nascer e o pôr-do-sol da cidade maravilhosa. Porém, foram tantos os infortúnios que a única forma dele sobreviver ensinando o Yôga Antigo foi expandindo-o para outros Estados do país e, depois, para outros países. Foi nessa guinada que nos conhecemos.

Comecei a ouvir seus ensinamentos a partir de minha mãe que seguidamente, para me contar algo, citava o seu nome. Ela o chamava carinhosamente “De” e assim me referi a ele até entender que o que me ensinava era digno de um grande Mestre.

Entendi, desde cedo, conceitos básicos do Yôga tais como karma, egrégora, chakras, meditação, kundaliní e muitos outros dessa filosofia. Fui crescendo e aprendendo sobre o meu corpo como ninguém nunca havia me ensinado na Escola e aquilo era metabolizado por mim de forma tão biológica que nem percebia o quanto aprendia com isso.

Com seis anos de idade iniciei um Yôga para crianças, adaptado. Hoje é sabido que deve ser praticado somente na idade adulta. Naquele tempo, a garotada freqüentava as aulas. Tenho só boas lembranças da minha professora e do ambiente aconchegante. O Núcleo Vishnu foi instalado no último andar de um prédio no centro de Caxias do Sul, numa rua movimentada, seguindo os mesmos passos do DeRose que abrira sua primeira sala no 33° andar do mais alto edifico de Copacabana da época, idos de 1964. O lugar era inspirador e gostava muito de ficar na frente do fogão à lenha esperando o pinhão cozinhar ou a água chiar para o chimarrão, olhando para as inúmeras janelas que circundavam todo o andar. Lembro até de ir conhecer a sala vazia com a minha mãe, antes mesmo de ela se instalar por lá.

Em um único ambiente ficava a secretaria, o fogão à lenha, uma rede, um tapete no chão e várias almofadas para os alunos ficarem jogados, literalmente. Não é difícil constatar que a decoração era precária e os resquícios dos anos 70s era visível. Na sala de prática, um enorme painel ao fundo com a paisagem de um caminho circundado por árvores outonais (muito parecido com a imagem de capa do livro que me inspirou escrever esse texto); nas paredes laterais, janelas e cortinas; na frente da sala, espelhos e, no chão, um carpete alto, verde, para dar a idéia de que estávamos realmente em meio a um bosque.

Adorava a aula e lembro risonhamente de que como era engraçado e divertido fazer os ásanas, as técnicas corporais do Yôga, em especial o simhásana, que para mim assemelhava-se a fazer caretas. Tenho uma vaga lembrança dos respiratórios e do início da prática. Depois, deitávamos para uma gostosa descontração, cuja vivência nos conduzia a diversas sensações. Minha querida professora, em uma determinada aula, utilizou como metáfora a imagem de uma maçã que saborosamente era degustada por nós. O engraçado é que fui além da imaginação e passei a mastigar, lentamente, o ar!

Acompanhei as mudanças rápidas da Uni-Yôga, organização criada em 1975. Esta instituição passou a congregar dezenas de escolas de Yôga espalhadas pelo Brasil e logo percebeu que as escolas deveriam ser instaladas em casas e não mais em salas comerciais, muito menos em coberturas! Acredito que todos aqueles que contribuíram para que o DeRose desistisse de lecionar ajudaram-no a criar raízes fortes e a mudar o rumo das coisas, sempre que fosse preciso.

Minha mãe tinha fechado o Núcleo no final dos anos 80 porque a visitação era insuficiente para mantê-lo aberto. Em meados dos anos 90 abriu outro espaço, agora numa casa muito bem decorada, na mesma rua em que abrira o anterior, porém em outro bairro. Também lá fiz aulas, agora já adolescente.

Naquele tempo, os cursos de Extensão Universitária para revisão e aprofundamento da matéria eram organizados num final de semana inteiro. Começava sábado pela manhã e terminava na segunda-feira com o Colóquio sobre Formação Profissional. Participei de uma dessas maratonas, por ocasião da vinda do DeRose a Caxias. Sentei numa cadeira mais ao fundo e mergulhei para dentro de cada uma das palavras que ele proferia. A voz era grave, forte e o que dizia era tão claro que a minha atenção não desviava dele em nenhum momento. Foi quando, pela primeira vez, pensei em ensinar o que ele ensinava.

Anos depois, minha irmã Janaína tornou-se também instrutora de SwáSthya e passou a dirigir a Escola que antes havia sido de minha mãe. Hoje, é minha aluna e segue outra profissão.

Passada mais uma década, em 2001, já adulta e morando em Porto Alegre, fui convidada a dirigir uma escola de Yôga, a Unidade Rio Branco, muito pelo incentivo que o DeRose me deu, pois sempre dizia que teria sucesso. Quase não tive obstáculos comparados à história de vida dele. Estudava letras e sonhava em ser escritora. Meu pai me apoiou integralmente e abandonei tudo para me dedicar ao novo trabalho. Ao final do primeiro mês contava com trinta alunos, as despesas pagas e com lucro! Depois de um tempo, compramos a escola e a casa. Estamos em expansão e sinto prazer ao acordar todos os dias e fazer o que mais gosto: ensinar aos outros a serem pessoas melhores, mais conscientes e mais lúcidas.

Em 2005, minha mãe, que foi o primeiro elo com todo esse universo, passou para outros planos. Guardo, com ternura, sua lembrança na minha vida. Ela deixou um nobre legado, uma semente do SwáSthya que ainda germina na minha cidade Natal, a expansão dessa Cultura por mim em Porto Alegre, grandes amizades e um ideal de vida.

Lendo o livro, pude rever o quanto a minha profissão é possível graças trabalho do incansável DeRose. Posso dizer até, sem exageros, mas com uma pontada de tristeza, que a história dele amenizou os infortúnios que eu poderia ter vivido. Por isso, enquanto ele precisou ser forte, eu só preciso agradecer a ele, todos os dias, por ter desbravado o caminho que hoje trilhamos.


Naiana Ramos Alberti


Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Instrutores do Método DeRose investem em aprimoramento





No último domingo 25 instrutores do Método DeRose participaram de um curso de Redação com o professor JB Oliveira. O curso teve início às 9h e foi até às 18 h.
No chamado "dia de descanso" pudemos usufruir de uma aula animada, dinâmica e divertida e relembrar algumas regras gramaticais, atualizar-se no novo acordo ortográfico e colocar em prática os conceitos da redação.
Abaixo os textos que foram produzidos pelos grupos.


Dinâmica 1

Como o Yôga funciona? – Vivi, Gabis, Nina, Patrícia, De Nardi, Tati, Renata, Che e Marina
Quando se fala de Yôga, o conceito que vem à mente das pessoas em geral é equivocado. A culpa não é nossa.
Durante milhares de anos essa filosofia foi modificada. Em um momento, pelas invasões sofridas em seu país de origem, a Índia. Em outro por modismos, influências culturais e mudanças históricas.
Pense o seguinte: há mais de cinco mil anos, quando o Yôga surgiu, não existia a preocupação de como ele funcionava. Por que se preocupar com isto hoje? O Yôga é uma filosofia de vida prática.
Este tipo de questionamento só nos faz desviar do propósito original. O Yôga é Yôga! Se funciona ou não, somente a experiência de cada poderá dizer.

Por que o Yôga? – Marina, Elvis, Luis Gustavo, Fernanda, Djalma, Vinicius, Patrícia e Marina
Existe uma tendência natural do ser humano pela busca do aprimoramento e evolução. A civilização evolui em diversos aspectos: social, cultural, econômico, profissional e científico. No entanto, pouca importância é dada para o desenvolvimento pessoal.
O Método DeRose contempla o bom relacionamento entre as pessoas, delas com outros seres e a natureza. Através de uma cultura milenar que utiliza técnicas e conceitos promovendo o aperfeiçoamento multilateral daquelas que adotam tal estilo de vida.

O que é o Yôga? – Rosana, Ana Paula, Will, Dantas, Gi Setti, Dani Borges, Nilzo e Gi Correa
O Yôga é um termo sânscrito que significa união.
A definição mais aceita mundialmente diz que: “Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi (autoconhecimento)”.
Esta frase foi lapidada pelo Mestre DeROse no século passado.
O Yôga é uma filosofia prática, da Índia antiga, que compreende técnicas orgânicas, respiratórias, concentração e meditação, entre outras. Essas técnicas conduzem a um estilo de vida mais saudável.
Atualmente, o Yôga tem sido procurado por pessoas jovens, dinâmicas, desportista, artistas, que buscam o que há de melhor para si.
Curiosamente, devido ao mau uso do termo, nós, representantes do Método DeRose, evitamos a utilização da palavra Yôga.


Dinâmica 2

Desenvolver texto Narrativo sobre Descrição – Grupo 1: Dantas, Will, Ana Paula, Daniel Borges, Nilzo, Gisele Setti e Gisele Correa
Uma tarde com um aluno brilhante
Há dez anos ministro curso de formação profissional para instrutores do Método DeRose.
Certa vez, em uma dessas classes, um dos meus alunos mais aplicados, Daniel De Nardi, indagou-me: “Professor Nilzo, como faço para descrever no meu blog minha viagem para Nova York?”. Aproveitei a oportunidade para esclarecer a toda a turma como elaborar um texto descritivo: “Queridos alunos, um texto descritivo, como o nome sugere, deve ter o cuidado de descrever e transmitir características, qualidade e impressões sobre algo. Naquele instante os olhos de De Nardi brilharam. Em questão de segundos tive a impressão de que ele se transportará para um musical da Broadway, talvez Chicago. Estava certo.
Então perguntou-me: “Para descrever a experiência que tive naquela noite tenho que falar do teatro, da comida, das músicas que não saem da minha mente, e das dançarinas?”.
Aquele comentário me deixou satisfeito e pensei: “Que aluno brilhante!”. Aproveitei para complementar que se ele incluísse emoções às suas palavras ele levaria o mesmo sentimento vivido por ele aos leitores do seu blog.
Entusiasmado como sempre, ali mesmo, começou a escrever e nunca mais parou.

Redigir um texto descritivo sobre Narração – Grupo 2: Virginia, Gabriel, Nina, Patrícia, Renata, Tati, Daniel De Nardi e Cherrine
A narração foi uma das primeiras formas que o homem encontrou para transmitir suas ideias. Uma vez não tendo conhecimento da escrita, usou o ato de narrar para comunicar verbalmente o que sentia, observava ou vivenciava dentro de uma história real ou imaginária.
Com o advento da escrita, a narração tornou-se uma forma de redação. A partir da Odisséia de Homero – a primeira obra literária do Ocidente – os escritos descobriram que contar uma história é a forma mais envolvente de transmitir às pessoas a sua mensagem.
Narrar é uma forma de comunicar-se com o mundo utilizando a escrita ou a verbalização. É imortalizar uma história, é compartilhar experiências, é tornar o mundo imaginário ainda mais real.

Produzir um texto Dissertativo sobre Comunicação escrita – Grupo 3: Marina, Elvis, Djalma, Fernanda, Vinicius, Patrícia e Marina Engler
Todo conhecimento é corruptível. Onde há interpretação pode haver equívoco.
Toda e qualquer forma de comunicação é passível de deturpação, entretanto, a escrita é a que gera registros mais fieis aos conceitos, ideias e valores.
Ao longo da história, muitos pensadores e filósofos não registraram seus conhecimentos, transmitidos através da interpretação de seus seguidores. Sócrates, Jesus e até mesmo Shiva*, certamente não imaginaram que fragmentos de suas idéias gerariam tantos conflitos, seitas, religiões e guerras.
Tal é a força da palavra escrita, que durante o período mais obscuro da história da humanidade, a idade das trevas, os livros eram considerados heréticos e queimados em praça pública, ou enclausurados pelos detentores do poder.
Escrever é uma forma efetiva de contribuir com a evolução da humanidade. Idéias registradas conquistam a imortalidade!
* Shiva: nome atribuído ao criador mitológico do Yôga.


Daniel De Nardi



Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Poema inspirado num dos graus de dhyána.



Cobrirás o teu corpo
com o maior silêncio
— aquele que se parece
com os mantos de inverno —.
Então obstruirás
— só por um momento —
aquelas sete portas
por onde o mundo entra.
Atravessa sem medo
as primeiras entradas
como se fosses mundo
penetrando em ti mesmo.
Deixa atrás os sons
melódicos ou rítmicos,
deixa atrás o sussurro
do ar em labirintos.
Ao chegar ao murmúrio
constante do sangue
cruzá-lo com cautela
como a um rio em degelo.
E quando alcançares
o almejado espaço
despirás os ruídos
pois não terão mais causa.
Já não se escutarão
os órgãos vivendo
nem as unhas que crescem
ou a mente pensando.
Serão outros sons
e os verás de perto:
um silêncio estrondoso
embaçado por grilos,
caracóis marinhos
rodeando os teus ouvidos,
a música do Sol
que se infiltra nos poros,
fazendo, germinando,
fabricando a vida.
Este poema obteve o terceiro lugar no I Concurso de poesia do São Pedro da Serra, Nova Friburgo, 2007.
Anahí Flores
Tradução do original em espanhol: Sonia Monteiro
Foto: Atlántico desde Portugal (Anahí Flores)