Este blog foi montado com o intuito de retratar experiências de professores de SwáSthya Yôga que dedicam suas vidas a praticar, ensinar e difundir esta fantástica filosofia de vida.



Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Saber incentivar



Fotógrafo: Leonardo Crescenti
Saber incentivar

Depois de visitar várias escolas do Brasil, baseando-me na minha própria prática e no que ia observando, em colegas e alunos, escrevi algumas páginas sobre as coreografias de SwáSthya. Estávamos em 1999 e tudo o que tinha escrito sobre essa técnica do Yôga era… três páginas! Posteriormente, num encontro com DeRose, na cidade de Porto Alegre, tomei coragem e entreguei-lhe uma cópia dessas três páginas. No dia seguinte, ele devolveu-mas com algumas anotações. Sugeriu-me que escrevesse em espanhol, a minha língua natal (aquelas três folhinhas pretendiam estar em português. Contudo, fiquei a saber, naquele momento, que estavam em portunhol). Sugeriu, também, que continuasse a escrever para publicar, proximamente, um livro.

Três anos depois, graças, em grande parte, a esse impulso inicial que eu chamaria kripá (toque que transmite força), foi editada a primeira versão de Coreografias, que de três folhas de papel tinha aumentado para 158 páginas.


Coisas que acontecem

Estávamos no escritório do DeRose, no prédio da Sede Central, a concluir a revisão da primeira versão em português, do livro Coreografias, quando comentei com ele que o título do livro em espanhol não me satisfazia e que, para a versão em português, tinha pensado num mais simples e directo. Em seguida, verbalizei-lhe o novo título. Sem pronunciar uma palavra, DeRose foi até ao seu PC, procurou um documento e mostrou-me um texto que tinha escrito nesses dias (um capítulo para um dos seus livros). No texto, recomendava ao leitor que lesse o meu livro. E o livro… aparecia com o nome que eu tinha anunciado, minutos atrás, como se fosse uma novidade.
Anahí Flores


Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Prazer e atenção



 
Tudo o que fazemos com mais consciência torna-se mais prazeroso.

Tudo o que realizamos em atitude de atenção, simplesmente, pela vivência mais intensa dos momentos, torna-se mais agradável também.

Isso em todas as áreas, irrestritamente.

Perceba que é diferente, por exemplo:
  • ouvir música e contemplar música. Apreciar uma música é um exercício de consciência, atenção, emoção e sensibilidade. Ouvir música, não: isso pode ser inclusive apenas mais dispersão.
  • jogar conversa fora e conversar mesmo, sem contar o tempo no relógio, por horas a fio desfrutando de uma boa companhia…

Reconheço que nem sempre se tem tempo disponível para parar tudo e ouvir detidamente uma música.

Sei que não é possível, para muitos, deixar o trabalho de lado e ouvir um colega.

Sei que às vezes parece não haver tempo nem para fechar os olhos e respirar, prolongadamente, deliciosamente, desfrutando a sensação do ar preenchendo os pulmões como se nada mais importasse… como se nada mais existisse.

É visível que a rotina da maioria das pessoas hoje não inclui um tempo diário de lazer descompromissado.

Mas, mesmo assim, digo que é possível reaprender a sentir.

Digo que é possível,ainda hoje, aprender a desfrutar mais dos momentos, cada um deles. Que isso é possível mesmo sem tirar um tempo exclusivo para esse fim.

Para viver mais intensamente, para sentir mais prazer todos os dias, basta uma mudança de atitude. Basta querer usufruir melhor do tempo que se tem.

Basta querer colocar mais atenção em tudo o que se faz.

Basta fazer isso de forma ativa, como uma atitude de respeito a nós mesmos e ao tempo precioso de vida que temos.

"Comecemos fazendo aquilo de que mais gostamos com mais atenção, carinho e sensibilidade, provando um sorvete atento para todos os sabores, para a textura, para as diferenças de temperatura. E terminemos ficando plenamente mais atentos ao universo infinito em belezas, riquezas e alegrias que existe a nossa volta." (Ferramentas-Livre Pensar do Yôga)

É só começar a prestar a atenção nas coisas que já fazemos, e procurar fazê-las melhor e com menos stress.

Depois podemos escolher alguns momentos do dia para valorizar, um que seja por dia para gerar prazer.

Por exemplo, ao invés de, rotineiramente, ir almoçar no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, vá almoçar sozinho escolhendo realmente a comida que queira ingerir e fazendo-o lentamente, desfrutando mesmo a refeição.

Ao invés de andar apressadamente, levante um pouco mais cedo e preste atenção no caminho, perceba a luminosidade do dia que começa, perceba o céu, ele não estará igual nunca mais.

No trânsito escolha uma música, uma só…aquela que mexe com as suas emoções, aquela que faz lembrar quem você realmente é, lembrar daquilo que importa para você… ouça-a muitas vezes.

Sem tirar tempo nenhum do que já fazia, procure fazer melhor.

Use a rotina a seu favor, torne-a sua.

Na realidade, lembre-se que ela sempre o foi.

Perceba-a melhor, desfrute mais do que já tem em suas mãos e, a partir disso, quem sabe, pense em modificá-la…

Talvez alterá-la, no futuro, cause muito mais prazer …

Julia Rodrigues



Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Caminho das Índias



Agora em 2009 teremos um grande foco na Cultura indiana em consequentemente no Yôga. A modinha, hoje virou tendência e se incorpora ao cotidiano do brasileiro nas grandes cidades brasileiras. Termos sânscritos invadem os nossos jornais e noticiários. Satyagraha, yôga, karma entre outros termos já constituem o vocabulários dos antenados nas tendencias orientais.

A nova novela da globo Caminho das Índias, promete ser um grande facilitador da cultura indiana. restaurantes e festivais típicos já povoam os calendários de 2009. Com o Yôga não será diferente.

Fique de olho!

Saiba mais lendo um artigo anterior sobre especiarias.


Um abraço,


André Mafra


Domingo, 30 de Novembro de 2008

O Tempo Não Pára



Pare tudo por alguns instantes e seja apenas um observador.

Você já parou para pensar em quantas coisas estão acontecendo neste exato momento em que você lê estas palavras?

Seu sangue continua correndo em suas veias. Seu sistema nervoso é constantemente solicitado para a devida interpretação da leitura. Os carros passam na rua. O Planeta Terra continua girando. O universo continua seu processo de expansão! Enfim, o tempo continua correndo.

Mas e se fosse possível parar tudo. Parar o tempo. Conquistar a imobilidade completa. Uma vastidão silenciosa e quieta, estática, total e infinita. Será possível.

O tempo nada mais é do que uma impressão de uma parte. Precisamos do tempo para podermos passar por muitas experiências que nos conduzem para a evolução. Como não podemos entender o todo de uma só vez, com certeza por diversas limitações, ai está o tempo, para que se possa assimilar uma coisa de cada vez. Em vez de engolir uma pílula grande demais, partimo-la em várias menores facilmente assimiláveis.

Mas e se fosse possível expandir a consciência a tal ponto de poder entender o todo de forma instantânea? Bom, ao chegar neste estado de consciência, que na filosofia prática do Yôga recebe o nome de samádhi, o tempo para, “não passa”. A noção do tempo é distorcida conforme o grau de consciência que se atinge. Em estados de consciência expandidos temos a impressão de uma longa passagem de tempo que se dá em alguns instantes. Como se fosse percebida a passagem de horas, mas que na realidade objetiva duraram apenas um instante, talvez nem mesmo um segundo.


Claus Haas


Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Agradecimento aos pais




Texto lido durante a cerimônia de formatura de instrutores de SwáSthya Yôga do dia 21 de novembro de 2008.
Queridos pais,
Imagino que, quando nós, seus filhos, chegamos ao mundo, suas vidas mudaram completamente.
Para encarar essa mudança, tornando-se pai, tornando-se mãe, foi preciso uma certa mistura de talentos. Alguns desses talentos já estavam em seu repertório antes mesmo de nascermos.
Certamente, uma dose de insensatez estava entre eles. E, claro, coragem.
Outros, sempre estiveram em potencial dentro de vocês, mas - em sua plenitude - só vieram depois: como um amor gigantesco - do qual ninguém se sabe capaz até que o sinta.
Ser pai, ser mãe é um constante desenvolvimento de potenciais conhecidos e desconhecidos: leitor de termômetro, trocador de fraldas, engenheiro aéreo de pipas, inventor de cafunés, torcedor de time dente-de-leite, maquiador de festa junina e muitos outros, todos eles fundamentais.
E tudo na prática: é como ser o atirador de facas no primeiro dia de emprego. As coisas vão sendo aprendidas enquanto a roda gira e nada pode dar errado, ainda que, eventualmente, dê.
Não falarei sobre perda da liberdade, pois poucas coisas celebram mais essa palavra misteriosa e tantas vezes mal comercializada, que a escolha consciente de abrir mão de um pedaço dela em nome de um filho.
Saber abrir mão, aliás, está entre os talentos a serem desenvolvidos pelos pais. Tão difícil em épocas quando tantos punhos se fecham. Mas pais são pais em qualquer época.
Abre-se mão, um dia, até mesmo do destino do filho que, em algum momento, decide tomar sua própria vida pelas rédeas. Para que ele possa transformar, assim, essa outra palavra misteriosa, destino, em algo menos nebuloso.
Dificilmente algum de vocês pôde imaginar que, um dia, teriam filhos com essa formação, a de instrutor de Yôga. Talvez um imaginasse um médico. Outro, um arquiteto. Outro, ainda, um advogado.
Mas tenho certeza de que, qualquer uma dessas projeções - e quanto de si mesmos os pais projetam nos filhos -, qualquer uma dessas projeções incluía acima de tudo uma filha, um filho realizado financeira e profissionalmente, íntegro, ético e feliz.
E, diante disso, só posso concluir que vocês, em verdade, não queriam médicos, arquitetos ou advogados: queriam que o fruto de seu amor se tornasse um homem, uma mulher livre.
Peço que olhem atentamente para os rostos que ora estão aqui, à frente. É isso o que vocês, pais, vêem: rostos de homens e mulheres que optaram pelo caminho da liberdade. Homens e mulheres livres.
Um caminho que só pôde ser trilhado a partir dos passos iniciais ensinados por vocês. Esses passos jamais deixarão de fazer parte desse caminho, desejado por muitos, mas abraçado apenas por aqueles com as doses de coragem e amor necessárias. E de insensatez, se assim podemos chamar a sensatez de uma minoria que decidiu se tornar diferente da maioria.
Para muitas profissões, criou-se a figura do caçador de cabeças. Um homem que escolhe os profissionais mais indicados para trabalhar em certos postos importantes nas empresas. Dizemos, entre nós, no entanto, que o ensino do Yôga caça corações. Corações não vão para onde alguém aponta, mas para onde sempre quiseram estar: é a diferença entre ser escolhido e escolher. Entre cortar cabeças ou acolher corações.
Os primeiros passos que vocês, pais, nos ensinaram ajudaram a trazer nossos corações até aqui. A este momento. Queiram ou não são cúmplices das mudanças que, agora, celebramos e que o Yôga e a profissão de instrutor de Yôga produziram e continuarão a produzir positivamente em nossas vidas.
Gostaria que vocês soubessem que estamos imensamente gratos.
Obrigado.

Alessandro Martins e Julia Rodrigues


Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

La tolerancia como estilo de vida



Foto: flickr, subida originalmente por azil jamil


Si bien la tolerancia forma parte del discurso políticamente correcto que se escucha con frecuencia, en realidad se la practica poco. Quizás porque es más fácil predicarla, que llevarla a la práctica. Por alguna razón, los seres humanos tenemos algo así como un “defecto de fábrica” que nos lleva a creer que nuestra experiencia es trascendental y única en su importancia, aun para otras personas. En realidad, esa trascendencia sólo vale para nosotros mismos.

La tolerancia requiere conciencia, respeto y aceptación. Ser capaces de entender que el mundo es igual de válido mirado con otros ojos, desde otro punto de vista. Demanda un aprendizaje: el de reconocer que las diferencias enriquecen.

Y aquí es donde el Yôga Antiguo puede hacer un valioso aporte, porque su objetivo es ampliar la conciencia. Ya desde los inicios, el conocimiento obtenido por el yôgin sobre sí mismo se expande al mundo a su alrededor, haciendo realidad tangible la intención de aprender del otro y de su vivencia.

A causa de la práctica, el sádhaka (practicante) comprende su conexión con el universo y con el resto de la humanidad y aplica lo aprendido incrementando su comprensión de las diferentes costumbres, usos y maneras de las personas. En síntesis, percibir la realidad en un sentido amplio nos induce a sentir una conexión profunda con los que nos rodean, incorporando el ejercicio de la tolerancia a la vida cotidiana.

Vale la pena hacer una aclaración: es una confusión bastante común que se malinterprete a la persona pacífica tomándola por pasiva, y también se suele entender mal al tolerante, considerándolo permisivo. Ser tolerante no implica dejar de defender aquello en lo que creemos ni permitir que nos agredan sin reaccionar.

Entre los valores del movimiento cultural formulado por el Yôga Antiguo, reconocer las diferencias y aprender de ellas es vital. Relacionarnos con respeto es un entrenamiento diario. Para un practicante de SwáSthya Yôga, la lealtad a sus ideales es tan importante como la tolerancia y el cariño hacia los demás.

Para finalizar, lo invito a tomarse unos instantes para analizar cuál es su propio nivel de comprensión, empatía y tolerancia hacia quienes lo rodean (especialmente hacia los que están más próximos). Mejorar en ese aspecto puede ser sólo cuestión de proponérselo.


Natalia Sanmartín Gil


Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Quem é o Mestre



Texto lido durante a cerimônia de formatura de instrutores de SwáSthya Yôga do dia 21 de novembro de 2008.  

O mestre é o cara que encontrou, no escuro, um caminho.

Mestre também é aquele que, ao chegar onde quer que o caminho leve, dissipa essa escuridão.

Se você vê uma luz no fim do túnel, é esse cara. Segurando uma lanterna. Lá na frente.

Não é ele que deve vir a você, mas você a ele. A ele, que já fez o caminho.

Ainda assim, se você insistir em olhar para as paredes do túnel, para o labirinto de escuridão, seja com medo - que paralisa - seja com a intenção de se envolver por elas, as trevas, o mestre continuará a chamar. Lá de longe.

Ele não pode puxá-lo, não pode laçá-lo, não pode prendê-lo. Como um mestre poderia ensinar a liberdade com tais recursos? Que tipo de aprendizado é aprendizado sem ser libertador e sem conter a liberdade em seus métodos?

O mestre não pode vender certezas. Pode tão somente, com a mão em concha, ofertar uma possibilidade. A primeira coisa que ele ensina, com isso, é a liberdade de aceitar ou não essa possibilidade. E o aluno, ainda que não a aceite, já terá aprendido algo. A liberdade de aceitar ou não.

O mestre pode apenas lançar mão do mesmo encanto que o encantou e que o fez chegar onde está. Não mais. O aluno escolhe o mestre. Não o contrário.

A dádiva de educar, assim, pode ser acompanhada da frustração de não ser ouvido. O mestre aprende a superar essa dor. Pois, às vezes, se está muito longe: o verdadeiro educador é vanguarda, ainda que ensine a sabedoria de um passado remoto.

O educador está sempre no front: seu conhecimento é como a mochila de um guerreiro, o equipamento de um soldado. E poucos gostariam de se oferecer às pedras da ignorância na linha de frente, como ele faz todos os dias.

Então, o verdadeiro mestre - não importa de que área do conhecimento - faz seu chamado. Alguns o ouvirão. Outros não. Certas sementes não germinam em alguns solos e, para cada solo, mesmo os pedregosos, há uma semente apropriada.

Alguns conseguirão ir aonde o mestre chegou. Poucos, muitos, não importa. Sentados em torno da fogueira, todos juntos, olharão para o caminho que trilharam. Verão que o mestre mostrou a vereda, mas cada um teve de deixar suas próprias pegadas nela.

E então é a vez de alguns desses alunos irem além. A hora de uma verdade que alguns - mais emotivos - acharão melancólica: os mestres também são necessários porque nós humanos somos finitos, não temos como perpetuar sozinhos, na linha do tempo, um conhecimento. Nossos prazos são muito limitados. A arte é grande, a vida pequena: projetamos nas gerações seguintes, os novos caminhos a serem trilhados e legamos, também a elas, a sabedoria que deve ser preservada intacta como um diamante.

É nesse momento que o mestre irá lhe passar às mãos o lume com que, durante tanto tempo, iluminou o túnel que você percorreu. E você entenderá, então, que, antes dele, um outro mestre fez esse mesmo gesto. E, antes desse, outro. E antes, ainda, outro. Até onde alcança a limitada compreensão humana acerca do passado.

E, finalmente, o mestre lhe apontará para onde acredita ser o caminho que faria. E, novamente, com a liberdade que você aprendeu desde o início desta jornada, você fará uma nova escolha.

E, sem medo, dará um novo passo. A jornada do conhecimento deve continuar.


Alessandro Martins